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Afoxé Filhos do Congo cria catálogo de moda com sobras dos tecidos do Carnaval

Com a consultoria do Sebrae, afoxé percebeu que o uso dos resíduos têxteis promoveria a sustentabilidade e a valorização da cultura negra
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Para transformar os processos de produção das peças do Carnaval mais sustentáveis, o Afoxé Filhos do Congo apostou no uso dos resíduos têxteis – sobras dos tecidos oriundos da confecção das roupas do bloco de Carnaval – para criar um catálogo de moda, além da produção de roupas e acessórios colocados para comercialização.

Por isso, o aprimoramento das ações empreendedoras no Afoxé Filhos do Congo tem sido uma preocupação da presidente, Liu Silva. A partir da atuação como empresária, ela também levou sua experiência. “Sou a primeira presidente mulher do afoxé e trouxe um olhar administrativo na busca por melhorias. Sempre busquei capacitação para minha empresa no Sebrae, logo, não seria diferente com o Afoxé”, explica.

Afoxé Filhos do Congo e Moda Afro. Foto Darío G. Neto/ASN BA.

Inicialmente, a partir da consultoria em Turismo Criativo, do Sebrae, Liu recebeu orientações da analista técnica do Sebrae em Salvador Hirlene Pereira para a criação da rota de turismo Afro Congo, Bahia. A rota inicia com a visita à Pedra de Xangô, Patrimônio Cultural de Salvador. Em seguida, os visitantes são recebidos no Afoxé Filhos do Congo, pela rainha do Afoxé, com atividades como momento griô, roda de capoeira, vivência musical e percussiva, gastronomia e exposição do afroempreendedorismo. Como desdobramento da consultoria, também foi possível trabalhar a gestão do negócio.

“Dentro do trabalho de Turismo Criativo, nós orientamos também sobre a gestão do bloco. Trabalhamos desde o processo de precificação, organização e de como eles poderiam usar a própria roupa para desenvolver uma moda. Eles são um bloco de afoxé, que sai na avenida e precisa aumentar o número de associados. Isso passa por um processo de gestão”, explica Hirlene Pereira.

Segundo Liu, as roupas do afoxé são criadas com tecidos próprios, trabalhando a história-tema do desfile de carnaval no tecido. Agora, as sobras ganharam um novo destino sustentável.

“As nossas roupas – não chamamos fantasia, chamamos de roupa – são construídas com tecidos em cima do nosso tema do carnaval. Neste ano, nosso tema é Tereza de Benguela, então, o artista plástico cria a história no pano. Nós produzimos as roupas do Carnaval, depois, com as sobras, retalhos, rolos, construímos as peças, usando também tecidos dos carnavais dos anos anteriores”, conta. No espaço voltado para o afroempreendedorismo no afoxé, são comercializadas canetas, chaveiros, anéis, customização de roupas e bolsas.

Roupa da Afoxé Filhos do Congo e Moda Afro. Foto Darío G. Neto/ASN BA.

Segundo Liu, a ideia de produção das roupas do afoxé tem o interesse de que os foliões continuem a usá-las. A partir disso, surgiu a ideia da criação do catálogo de moda. “Não fazemos abadá com camisa e short, que é mais fácil. A gente vai à costureira, ao cortador para construir as peças que podem ser usadas não só no carnaval, mas no dia a dia. Temos esta preocupação e, através desta preocupação, nós construímos nossa grife”.

“Pegamos o nosso tecido, com apoio voluntário da nossa estilista, Alice Pinto, que criou as peças para o catálogo, que também foi feito por um voluntário e saiu maravilhoso. Lançamos a grife no Carnaval passado e o catálogo na Vale do Dendê”, relembra.

Segundo Hirlene, a ideia da criação do catálogo surge da necessidade de pensar também na sustentabilidade associada ao desenvolvimento do negócio. “O que nós trabalhamos com o afoxé era como dar uma destinação bacana às roupas que foram utilizadas em edições anteriores, para construir uma moda criativa. Nós orientamos o afoxé nesse processo, com informações sobre marketing, que resulta na ação deles de promoção a valorização das culturas negras. É importante que estejam organizados e disponíveis durante o carnaval.

Bloco

Há 45 anos, o Afoxé Filhos Congo, um dos mais antigos da Bahia, desfila no Carnaval de Salvador homenageando personalidades da história da população negra. Neste ano, “Tereza de Benguela: A grande líder do quilombo do piolho” será o tema do bloco. Além das atividades realizadas no período do Carnaval, durante o ano, o afoxé desenvolve atividades culturais, educativas, sociais e capacitação em diversas áreas, além de ministrar debates, seminários, conversas, entre outros. A atuação com empreendedorismo tem sido uma das formas de aumentar a renda com a valorização e o fortalecimento do afoxé.

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