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Criador da CUFA diz que a maior forma de combater a desigualdade é empreender, capacitar e empregar na favela

Celso Athayde participa da Expo Favela, feira que reúne empreendedores de comunidades de todo o país em São Paulo, com apoio do Sebrae
PorRedação
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A Central Única das Favelas (CUFA) realiza até amanhã (3), em São Paulo, a Expo Favela Innovation – feira de negócios promovida com a participação de empreendedores estartups de comunidades de todo o país. Com o apoio do Sebrae, foram realizadas ao longo de 2023 etapas em 20 estados brasileiros, onde donos de pequenos negócios foram selecionados para participar da edição nacional.

A pg-nmga conversou com Celso Athayde, fundador da CUFA, sobre a importância do evento e das empresas das favelas. Confira o bate-papo.

pg-nmga – Celso, qual a mensagem que a Expo Favela deixa para aquele empreendedor das comunidades que deseja empreender, mas não sabe por onde começar?

Celso Athayde – Eu não sei qual é o desafio de cada um, mas o fato é que todos os empreendedores e empreendedoras de favela têm muitos desafios. Muito maiores dos que enfrenta quem é do asfalto. A pessoa que vive na favela sequer fala as linguagens que eles falam lá no asfalto, como: trade, share, network, stakehold, match.

Aqui na favela o empreendedor fala que “a gente se vira”, “a gente dá o nosso corre”, “dá os nossos pulos”. Mas eu acho que a primeira coisa que a gente precisa fazer é a gente também falar o “asfaltês”. É a gente falar a linguagem do asfalto, porque no fundo somos nós que precisamos encontrar esses fundos de investimento. Nós que precisamos fazer esse match, criar esse encontro com eles.

Inclusive a Expo Favela é isso, é um espaço físico onde a gente pode encontrar essas pessoas. E para isso precisamos falar a língua deles. Então, eu acho que é preciso se capacitar, se formar, procurar – o máximo possível – não reclamar, mas superar, bancar essa superação que a gente precisa.

Eu acho que você que é uma empreendedora, você que é um empreendedor, o mais importante para cada um de nós é entendermos o que a gente faz, ter a nossa proposta efetiva e saber como que a gente pode melhorar a qualidade do nosso negócio e do nosso serviço, para que a gente possa ter excelência. E a partir daí, a gente pode oferecer, em primeiro lugar para os nossos pares, um melhor serviço para que a gente aumente a régua e o grau de exigências dos nossos pares, para – daí sim – a gente pode ter o orgulho de construir as coisas tão nobres como as coisas que a gente sempre admirou.

pg-nmga – Celso, o que é a favela ser potência para você?
Celso Athayde – A vida inteira sempre se referem a nós como pessoas carentes. Eu nunca achei que nós fomos, algum dia, pessoas carentes. A gente sempre foi potente, porque na verdade o que nós somos é resilientes. A maior prova da nossa potência é aquilo que a gente constrói e que a gente consegue entregar, a partir de onde a gente vem. Então, eu acho que carentes são aquelas pessoas que não são capazes de fazer o que elas sonham. A favela sonha todo dia, realiza todo dia, e eu acho que a potência, pra mim, é essa capacidade de transformação que a gente tem todos os dias.

O empreendedorismo na favela é sobretudo uma ação social, uma ação de relevância, e eu não quero dar cesta básica para ninguém. Eu quero que as pessoas possam ir ao mercado fazer suas compras, a partir daquilo que produziu. Portanto, o empreendedorismo é uma das maiores manifestações que a gente pode ter. Porque eu estou falando não só de dinheiro, mas de renda para uma maior capilaridade de empregabilidade. A partir da gestão dessa renda, da geração dessa riqueza, da democratização dela, a gente vai estar combatendo a desigualdade. Por isso eu acho que a maior forma de você combater a desigualdade é você empreender, capacitar e empregar neste território.

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